Minha vida!

Minha vida.




Como todo bom brasileiro, minha vida não foi e não é nem um mar assim segui.Minha mãe engrave.de rosas, muito pelo contrario... Minha vida sempre foi um grande ponto de interrogação, grandes alegrias que de repente se transformavam em problemas imensos, tristezas que de uma hora para a outra viravam musicas e desabafos e idou de mim aos 15 anos de idade, meu pai tinha 25 anos e não queria saber de ficar com ela, ele queria zoeira, baladas e mulheres, e não uma grande responsabilidade chamada FILHA.Minha mãe por ser muito jovem, sofreu muito por estar grávida e por ser mãe solteiro, a discriminação era grande





O momento mais esperado!





No dia 28 de agosto de 1990, ás 6:55 da madrugada, eu nasci !Minha mãe ficou feliz, mas ao mesmo tempo pensava como ia ser dali pra frente, afinal ela era tão nova, não sabia nada da vida e teria que arcar com uma responsabilidade enorme.Ela por estar no tempo de curtir a vida, queria sair, curtir e namorar, mas não podia me deixar só, então me deixava com minha vó para sair e para trabalhar também.Mas pouco tempo após meu nascimento, eu tive um problema de saúde que quase me levou à morte.

Algo como catapora mas não exatamente isso, era um tipo de coceira, alergia não sei ao certo. Tinham que dar quatro banhos por dia em mim, com ervas e remédios, minha vó se desesperou ao se deparar com a situação, afinal ela que tomava conta de mim a maior parte do tempo. A situação estava se complicando cada vez mais, porém eu tinha anjos ao meu redor, anjos chamados Mariana e José (avós maternos), eles faziam de tudo para não me perder, chegaram ao ponto de ter que pedir ajuda para não me deixar com fome.Minha vó mariana pedia ajuda para uma vizinha que hoje chamo de Vó Zefina, ela tem um carinho imenso por mim até hoje, e sei que devo muito a ela, pois foi ela que ajudou a me salvar.Minha saúde se estabelizou, e eu fui crescendo naquela familia que me amava incondicionalmente.




Hora de estudar



Eu cresci e então fui estudar com sete anos de idade, foi muito constrangedor para mim quando eu tive que fazer uma árvore genealógica e não sabia o nome dos meus avós paternos, afinal eu não fui registrada pelo meu pai. Fui humilhada por não ter o nome dele em meu registro, me senti um nada quando ouvi minha professora dizer: Como assim você não tem o nome dos seus avós paternos? Você não tem pai?Foi feita do que?
Eu fui pra casa com um sentimento muito forte que eu não sabia se era raiva, vergonha, revolta ou tristeza. Isso me fez querer pedir ao meu pai que me registrasse, mas ele sempre dava uma desculpa, que tinha que arrumar dinheiro pra poder me registrar e assim que ele pegasse dinheiro ele iria me ligar.
Passaram anos e anos da minha vida e até hoje ele não me ligou, nem ao menos foi ao cartório, apesar de que, para mim isso não tem importância, estou viva e bem educada sem precisar dele até hoje.





Sem minha mãe.
Quando eu estava perto de completar oito anos de idade, minha mãe arrumou um namorado, eu era a favor do namoro, mas tinha uma pontinha de ciúmes.Mas tinha um pequeno problema, o namorado da minha mãe estava preso em liberdade condicional. Meus avós maternos não aceitavam o namoro, pois não queriam que minha mãe namorasse um cara que tinha passagem na policia.
Minha mãe era tudo pra mim, não queria ficar sem ela, mas um certo dia o rapaz saiu do presídio de vez, e como meus avós não aceitavam o namoro, ela resolveu ir embora com ele.
Arrumou as malas e tentou levar eu e meu irmão, mas meus avós não permitiram, eu sofri muito e sentia muita saudade dela, não me conformava em ter que ficar sem ela.
Quando eu sentia falta dela, me escondia para poder chorar, pois não queria que ninguém me visse chorando.
Eu dormia com uma blusa dela para sentir o cheiro dela, chorava a noite toda por não ter ela perto de mim.Era uma sensação muito ruim, um pouco de revolta, pois eu já não tinha meu pai presente e agora minha mãe me abandona do nada.Choro até hoje quando lembro desses momentos.
Adolescência

Eu amadureci muito cedo, e tudo o que eu tinha passado não me fez desistir de ser feliz.Comecei a ter uma grande paixão chamada “TEATRO”, eu passava o dia todo fazendo cenas para os meus avós e meus tios.
Acho que este amor foi algo que me ajudou a esquecer um pouco das dores que tive na infância. Eu sabia que seria difícil de conseguir me dar bem nessa carreira, mas não queria saber, tudo que eu queria era ser feliz e fazer teatro.
Me apeguei muito com meus avós maternos, que apesar de não terem uma vida boa, sempre faziam de tudo para suprir minhas necessidades.Eu fui bem educada por eles, em toda minha vida nunca precisei levar um tapa, e não sei o que é apanhar até hoje. Tenho orgulho da criação que me deram, tive uma vida muito humilde, mas não reclamo, pois com isso aprendi muito. Aprendi os valores do ser humano, aprendi que às vezes o pouco é melhor sim, também aprendi a amar o próximo e a respeitar todos acima de tudo.




O medo, sentimento que palhaços também tem.
Quando eu completei os meus onze anos, minha avó que já tinha um câncer de pele precisou operar, pois o câncer estava prejudicando a visão dela.
Eu fiquei morrendo de medo de perder minha guerreira, mas no fundo eu sabia que ela ia sair bem. Ela operou e os médicos acharam um mioma que precisava ser retirado também, mas isso não foi nada em vista do que ela ainda iria passar. Mas a frente ela teve um desmaio, então os médicos descobriram que ela precisava operar o coração e teria que por um marca passo. O grande problema era o preço do marca passo, era muito caro e não tínhamos condições de pagar, o desespero foi grande, me perdia em lagrimas e estava indiguinada, pois alem de não ter quase ninguém na vida, eu ainda podia perder a única pessoa que eu podia contar. Eu perguntava para Deus o que eu tinha feito de errado, e pedia para lê não a tirar de mim, pois eu sabia que se ela morresse eu ia perder o meu vó também, pois ele não iria agüentar viver sem ela.
Deus ouviu minhas preces e o governo forneceu o marca passo para ela, a transferiram e ela fez a operação, deu tudo certo.






Hoje em dia.Hoje em dia minha mãe vive perto de mim, meus avós maternos ainda estão ao meu lado batalhando por uma vida melhor.Eles são aposentados e com uma vergonha de salário cuida de mim e da minha família toda. Eu estou realizando meu sonho de infância, graças a eles dois, que pagam meu curso de TEATRO.
Só tenho a agradecer, pois Deus escreve certo por linhas tortas, eu podia ter nascido em uma família com uma vida melhor, mas será que eu seria a mesma? Será que eu iria ter pessoas que me amassem tanto assim? Acho melhor agradecer a Deus.
 

Dona Mariana e Sr. José.
Eu amo vocês! Muito obrigado por ter tanto amor por mim, eu sei que às vezes meu temperamento louco me faz não ouvir direito os conselhos que me dão, mas tenham certeza que está tudo guardado em meu coração. Vocês são tudo para mim, obrigado por batalharem tanto para me ajudar a ser alguém nesta vida, obrigado por cada precisão cada necessidade que passaram por minha causa.
Vocês são guerreiros e como todo bom guerreiro, vão vencer essa batalha.Vou mostrar a vocês que meus sonhos são possíveis e que foram vocês que me fizeram realiza-los.